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quinta-feira, julho 17, 2008

Interpretação da Cosmogênese Bíblica

~15000000000 a.C. Formação do Universo (conhecido). Primeiro Dia da Criação. Teoria do Big Bang. Formação do Espaço e Início do Tempo. Momento Zero. Expansão contínua e imediata do universo. Radiação cósmica de fundo.

Citação, Gen. 1, 1-5.: “No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: ‘Faça-se a luz!’ E a luz se fez. Deus viu que a luz era boa. Deus separou a luz das trevas. À Luz Deus chamou ‘dia’ e às trevas chamou ‘noite’. Houve uma tarde e uma manhã: o primeiro dia”.

Comentário: Antes de tudo havia Deus, estas palavras não convêm discutir, seja em termos científicos ou religiosos, pois a criação é fato, inerente ao criador. Existem, a princípio, seis termos discutíveis nesta passagem: céu, terra, deserta, trevas, abismo e águas.

‘Céu’ refere-se ao cosmos nascido no parágrafo seguinte, a vastidão habitada por seu espírito ou presença, alguns cientistas modernos podem dizer que seja a matéria escura, que representa 98,5% do universo e que é o elo que mantém coeso o espaço, mesmo estando em expansão, que, contudo não é a matéria comum, esta é simbolizada pela palavra ‘Terra’. ‘Deserta’ simboliza a pureza e o estado bruto inicial. A princípio os três últimos termos parecem ser uma redundância poética e enfática, mas apontam para a vastidão e profundeza do universo, ‘Trevas’ especificamente quer dizer ‘o nada’, fato que é comprovado na seqüência da citação.

“Fiat lux!” é o próprio Big Bang e o nascimento do universo. A ‘Luz’ foi feita e separada das ‘Trevas’, ou seja a matéria foi criada, quente, absolutamente quente e radiante. As trevas simbolizam, como já foi dito o nada, em outras palavras, a antimatéria. A penúltima frase parece somente ser algo dito para melhor compreensão daqueles que ouviam a história naqueles tempos antigos (“o dia é quente, a noite é fria, etc...)”. E a oração final reflete somente o modo de contagem dos dias dos judeus, começa pela tarde e termina pela manhã.

~5000000000 a.C. Distinção dos Elementos na Formação da Terra. Segundo Dia da Criação.

Citação, Gen. 1, 6-8.: “Deus disse: ‘Faça-se um firmamento entre as águas, separando umas das outras’. E Deus fez o firmamento. Separou as águas debaixo do firmamento, das águas acima do firmamento. E assim se fez. Ao firmamento Deus chamou ‘céu’. Houve uma tarde e uma manhã: o segundo dia”.

Comentário: “Entre as águas”. Estas águas são o ar e a água propriamente dita. Fato tradicional e científico a concentração de água na atmosfera. Ou seja, no processo de criação da terra, esta etapa foi a dissociação das concentrações de água no planisfério, a menos densa e volátil é o ar, o céu, e a mais densa é a água que umedece a terra (ainda não forma rios e oceanos, somente presente como umidade).

~4600000000 a.C. Formação da Terra Completa. Terceiro Dia da Criação.

Citação, Gen. 1, 9-10.: “Deus disse: ‘Juntem-se num único lugar as águas que estão debaixo do céu, para que apareça solo firme”. E assim se fez. Ao solo firme Deus chamou de ‘terra’ e ao ajuntamento das águas, ‘mar’. E Deus viu que era bom”.

Comentário: O protoplaneta surge da nebulosa estelar (“debaixo do céu”), sua massa incandescente está ativa e fluída. Da nuvem de gás em sua volta e dos próprios expelidos pelo novo corpo cria-se uma primitiva camada atmosférica que se condensa e caí a terra, solidificando-a. Nesse processo surgem os continentes e os oceanos pela acumulação da água e resfriamento da crosta terrestre.

~435000000 a.C. Emersão da vida terrestre.

Citação, Gen. 1, 11-13.: “Deus disse: ‘A terra faça brotar vegetação; plantas, que dêem fruto sobre a terra, tendo em si a semente de sua espécie’. E assim se fez. A terra produziu vegetação, plantas, que dão a semente de sua espécie, e árvores, que dão seu fruto como a semente de sua espécie. E Deus viu que era bom. Houve uma tarde e uma manhã: o terceiro dia”.

Comentário: Obviamente os vegetais não foram os primeiros seres vivos ‘criados’, contudo os anteriores identificados pela ciência eram de pouca relevância moral e social para aqueles os quais o livro era direcionado na época – De que adiantaria falar em vírus, protozoários, seres unicelulares, etc...? Além do fato da taxiologia científica daquele período ser diferente da de hoje em dia (fungos e plantas eram do mesmo grupo...etc).

Irei expor então em pequenas partes a teoria da origem da vida para assim chegar o ponto pretendido com a citação bíblica:

As chuvas (originadas dos próprios gases e da atividade vulcânica terrestre – 30% do material expelido de um vulcão é vapor d’água) traziam aminoácidos da atmosfera ao solo. A água deixava os aminoácidos expostos ao solo quente e assim sofriam desidratação, combinando-se uns com os outros. Surgiam então as proteínas, primeiro traço de material orgânico.

Sidney Fox, um pesquisador, resolveu aquecer uma mistura de aminoácidos secos e teve a grata surpresa de verificar que o mesmo ocorrera. Ao analisar a descoberta percebeu que alguns proteinóides possuem uma tendência catalítica, ou seja, podem estimular reações químicas em si mesmos. Sendo autocatalisadores desencadeiam um processo de formação de novas moléculas iguais. Surgem assim as protoenzimas.

Com o acúmulo das águas em oceanos e mares, estes se tornaram verdadeiros caldos de proteínas e protoenzimas, que dissolvidas em água formam gotículas de colóides, que misturados entre si formam coacervados. Lembre agora da já citada Força Eletromagnética, a força que une os átomos em moléculas, etc... Estes coacervados eram dotados de carga elétrica e assim se repeliam mutuamente em cadeias associadas a água.

Ora, o plasma celular é, em sua maior parte, composto de coacervados. (assim o mar primordial era um verdadeiro sopão de vida). É admissível pensar que compostos de outra natureza tenham se combinado com as proteínas e formado as nucleoproteínas e as enzimas propriamente ditas. Com a capacidade enzimática de produzir novas substâncias orgânicas, o mar primordial tornava-se cada vez mais heterogêneo e associativo. Pode-se pensar então que as nucleoproteínas foram os primeiros ‘genes’, protogenes, que entrelaçados entre si já formavam cromossomos. Tais cromossomos envoltos a coacervados já constituíam gotículas quase vivas, as pré-células. Para a vida faltava somente surgir a membrana que distinguiria aquele ser do resto do meio ambiente, e isto veio a ocorrer com o acúmulo de moléculas protídicas e lipídicas, dotadas de carga elétrica igual ao núcleo do caldo de coacervados. A célula assim se formou.

p.s. Atenção ao fato da criação das árvores, retomarei este ponto mais à frente.

318100000 a.C. Início do Eon Fanerozóico – Era Paleozóica (Primária) – Período Carbonífero (Pennsilvaniano). Surgimento de Florestas Carboníferas. Domínio de anfíbios. Quarto Dia da Criação.

Citação, Gen. 1, 14-19.: “Deus disse: ‘Façam-se luzeiros no firmamento do céu, para separar o dia da noite. Que sirvam de sinais para marcar as festas, os dias e os anos. E, como luzeiros no firmamento do céu, sirvam para iluminar a terra’. E assim se fez. Deus fez os dois grandes luzeiros, o luzeiro maior para presidir o dia e o luzeiro menor para presidir à noite e separar a luz das trevas. E deus viu que isto era bom. Houve uma tarde e uma manhã: o quarto dia”.

Comentário: Geralmente todos se espantam com essa passagem e não compreendem, como pode o Sol e a Lua terem sido criados após a Terra e os Vegetais? Acontece que não me parece que é isto que é dito. Retomemos o assunto das árvores previamente discutido.

A atmosfera primordial da terra era muito mais densa e nebulosa do que a atual. Era uma atmosfera inóspita à vida (como a conhecemos), rica em gases tóxicos liberados pela atividade vulcânica e sem oxigênio livre, exposta a altas temperaturas, cortada por constantes centelhas elétricas e varrida pelos raios ultravioleta da luz solar, pois ainda não existia a camada de ozônio.

A situação somente veio a se alterar com a mudança lenta e gradual dos seres vivos que primordialmente habitaram a terra. Como já foi dito antes, acontece que as enzimas espalhadas pelo solo terrestre, com seu processo de fermentação, liberavam um composto químico essencial ao desenvolvimento da atual atmosfera, o gás carbônico (CO2). Contudo este gás não se acumulava na atmosfera, pois logo surgiram as células autótrofas, ou seja, que realizam fotossíntese, retirando o gás carbônico do ar e expelindo oxigênio. Com oxigênio livre, graças às milhares de combinações proteicas, surgiram também as células aeróbicas, ou seja, que absorvem oxigênio. Deste modo, era quase um sistema fechado, quase. Pois, aritmeticamente existiam muito mais enzimas heterotróficas (que produzem CO2) do que células autótrofas (que liberam O2) e as células aeróbicas que expeliam CO2 eram em número menor ainda. O fato é que, assim, excedia em pequena parte o oxigênio no ar. Este oxigênio acabou chegando a estratosfera e em contato com os raios ultravioleta da luz solar formou a camada de ozônio. Esta camada impediu que os raios UV chegassem diretamente à terra, todavia este raio era fator constituinte das primeiras reações de aminoácidos e proteínas, ou seja, sem ele, e aliada ao fato da diminuição da atividade vulcânica, cairia a taxa de produção de gás carbônico. Como então não sobrava em excesso gás carbônico na atmosfera o que acontecia eram bolsões de ar rasos em meio a uma atmosfera maior agressiva aos organismos.

Eis o ponto suscitado para a delineação da passagem bíblica. Não é que o Sol e a Lua foram criados depois da Terra e dos vegetais, mas sim que o Sol e a Lua não resplandeciam no céu como agora brilham. Bem possivelmente a atmosfera era tão densa e nebulosa que no máximo eram perceptíveis a claridade e a escuridão. Muitas mitologias retratam este fato, com as divindades da noite e do dia surgindo na cosmogonia muito antes dos deuses do sol e da lua, exemplo é Nyx/Hemera, e Hypérion/Febe, Hélios/Selene ou ainda Apollo/Artêmis nos mitos gregos. O trecho quer dizer então que, com a mudança atmosférica foi enfim possível contemplar-se estes astros. E tal mudança atmosférica só foi possível graças às árvores, plantas e células carboníferas, que em meio aquela atmosfera nebulosa e um tanto obscura consumia mais oxigênio que gás carbônico e produzindo muito mais este último, criando o efeito estufa e alterando profundamente a atmosfera terrestre.

[Outra possibilidade é que aliado a isto esteja o fato da evolução estelar, melhor dizendo, que nos primórdios da formação do sol seu brilho era diferente, não alcançando a magnitude, nem a mesma circunferência de agora, com seus raios então não penetrando diretamente na densa atmosfera].

136000000 a.C. Aves entram em cena. Quinto Dia da Criação.

Citação, Gen. 1, 20-23.: “Deus disse: ‘Fervilhem as águas de seres vivos e voem pássaros sobre a terra, debaixo do firmamento do céu’. Deus criou os grandes monstros marinhos e todos os seres vivos que nadam fervilhando nas águas, segundo suas espécies, e todas as aves segundo suas espécies. E Deus viu que era bom. Deus o abençoou dizendo: ‘Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei as águas do mar, e que as aves se multipliquem sobre a terra’. Houve então uma tarde e uma manhã: o quinto dia”.

Comentário: Como visto com os dados científicos da evolução da vida sabemos bem que não foi de uma hora para a outra que os seres vivos surgiram, e tão pouco foi com os apresentados atualmente. Logo a passagem não quer dizer que foram criados ao mesmo tempo as aves e os peixes [antes dos outros animais], mas sim que o fato simboliza justamente o processo evolutivo da vida, que começou no mar, e atingiu os ares nos últimos estágios.

2200000 a.C. Primeiros vestígios do gênero Homo. Sexto Dia da Criação.

Citação, Gen. 1, 24-27.: “Deus disse: ‘Produza a terra seres vivos segundo suas espécies, animais domésticos, animais pequenos e animais selvagens, segundo suas espécies’. E assim se fez. Deus fez os animais selvagens segundo suas espécies, os animais domésticos segundo suas espécies e todos os animais pequenos do chão segundo suas espécies. E Deus viu que era bom.

Deus disse: ‘Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todos os animais selvagens e todos os animais que rastejam sobre o chão’. Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher ele os criou”
.

Comentário: Esses trechos retratam já o início da situação social do homem aos quais o texto se dirigia. O sexto dia da criação foi realçado do contexto evolutivo, ganhando uma citação própria, justamente para enfatizar os contextos sociais os quais o homem passava na época em que ouvia estes relatos. Não quer dizer que foi de fato um período evolutivo da vida distinto dos demais estava sim incluso na etapa anterior, mixada, associada e interdependente. Os animais recebem atenção, pois são os mais próximos do dia-a-dia humano, são essenciais para a vida do homem nômade e agro-pastoril, seja como fonte de alimento, seja como adversários na cadeia alimentar.

E reparem no “Façamos o ser humano”. Este excerto já foi muito discutido e para compreendê-lo melhor é preciso nos ater ao termo original em hebreu, onde quem profere tais palavras é Deus, ou melhor, neste caso, Elohim, ao passo que o que é criado é ‘adâm’, um termo genérico que traduzido somente significa “ser humano”, “humanidade”, não necessariamente é o nome próprio de uma pessoa, sendo que é derivado da palavra ‘adamâ’, chão, solo. Daí a coincidência da mitologia com a ciência em se tratando de que a vida se originou do barro, da água caída dos céus trazendo aminoácidos ao chão quente, desidratando-os, formando proteínas, enzimas, etc...

Elohim aparece pela primeira vez na bíblia nesta passagem. Historiadores dizem que se trata de uma versão diferente daquela que foi dita até aqui (a versão inicial, javista do reino de Judá, que diz o nome de Deus, Javé, mesmo antes da revelação do nome à Moisés em Ex. 3, enquanto que a versão eloísta do norte de Israel somente o usa após este acontecimento). Todo modo, Elohim é um dos 100 nomes de Deus da tradição rabínica do Sepher Yetzirah, ou seja, da Cabala, mas também, nesta mesma Cabala é o nome de uma classe de seres divinos, os anjos, mais precisamente os Principados (Elohim, anjos das nações) e os Arcanjos (Beni Elohim).

O que isto poderia significar então? Foi aberta uma brecha onde muitos teólogos (das mais diversas seitas e religiões) expuseram as mais variadas teorias. Alguns pregam que foram então os anjos que criaram a humanidade, por isso seríamos semelhantes a eles, e não a Deus, e todo o mal de nossa época seria assim justificado. Outros ainda mais radicais dizem que fora Lúcifer o criador, não só da humanidade, mas da própria Terra (a mando de Deus, etc...). A tradição teosófica/maçônica/rosa-cruciana diz que na verdade fora Deus sim quem criou o homem, mas que Deus, Javé, faria parte de um grupo de seres divinos, os Elohim, chefiando-os. A versão defendida pelos teólogos é que Elohim é a forma plural de Eloah, de fato, mas não quer dizer que Deus seja plural neste sentido, sendo sim uma ênfase, como um qualitativo aumentativo. Invés de “deuses” o termo correto a ser usado é “Deus dos Deuses” – O que também não significa o reconhecimento de outros deuses, sendo meramente uma hipérbole, bem peculiar ao povo hebreu, onde vemos também o mesmo ocorrer com o conhecido verso ‘setenta vezes sete’ para expressar o infinito, etc.

Por fim, aqui é dito que Deus criou homem e mulher, não aparecendo uma distinção temporal clara entre suas criações como será descrito mais a frente no Gênesis. Aliás, o segundo capítulo do Gênesis parece vir de uma origem totalmente distinta e posterior, incluída talvez nos códices de sabedoria judaica por refletir, ou refletindo, um pensamento social vigente (explicando o edenismo exasperado, talvez desejado desde a época do êxodo, e a autoridade masculina). Contudo, discutiremos a questão de gênero mais à frente.

100000 a.C. Aparecimento do Homo sapiens sapiens. Começo da última Idade do Gelo da Terra, a Idade do Gelo Visconsina, que durou até cerca de 15 ou 10 mil anos antes de Cristo. Desenvolvimentos de instrumentos a base de ossos.

Citação, Gen. 2, 21-24.: “Então o Senhor Deus fez vir sobre o homem um profundo sono, e ele adormeceu. Tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com carne. Depois, da costela tirada do homem, o Senhor Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem. E o homem exclamou: “Desta vez sim, é osso dos meus ossos e carne de minha carne! Ela será chamada ‘humana’ porque do homem foi tirada. Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne”.

Comentário: A visão de que um gênero tenha surgido antes que outro não vêm a ser estranha a muitos pesquisadores. Imagine uma espécie com macho e fêmea e que a cria, o filhote de um destes, sofre uma mutação genética e que esse gene mutante seja encontrado somente em um gênero, os machos por exemplo. Com o passar do tempo pode se perpetuar e criar uma espécie, ou melhor dizendo, uma subespécie (já que em nossa atual taxiologia espécies distintas até podem procriar, dependendo do grau de afinidade, mas sua cria não terá condições de proceder da mesma forma), totalmente distinta da anterior, e só de machos, que todavia ainda se misturam, cruzam, com o gênero oposto da espécie precedente ou outra concorrente. A lenda de Lilith aqui parece encontrar algum respaldo, sendo ela a representação alegórica dos exemplares femininos. E como vemos nos estudos antropológicos, a troca de mulheres era significativa entre as tribos.

Muito significativo também é o fato de que durante a evolução humana, o Homo sapiens esteve em contato, em convívio por 700 mil anos, com o Homo erectus, reproduzindo-se entre si não muito raramente até a extinção destes últimos 300 mil anos atrás. A simbologia da costela pode muito bem vir a representar a herança genética, ainda melhor ilustrada pela frase seguinte de ‘ossos de meus ossos e carne de minha carne’, ou seja, agora eram iguais, a genética mutante desenvolvera também uma fêmea, e enfim eram a mesma espécie, uma única espécie, a espécie humana (do homem gerada, como dito).

A frase final retrata um fato social dos hebreus, de formarem novos lares quando se unirem e constituírem família, mas também aponta um fato histórico conforme a visão aqui desenvolvida. Deixar pai e mãe significa deixar para trás, e nunca mais se misturarem com, as antigas raças e espécies que deram origem ao Homo sapiens até estas serem extintas.

35000 a.C. Extinção dos neandertais. Os "sapiens sapiens" atingem a Europa. Desenvolvimento do Arco e Flecha. Profusão de sepultamentos em todo o mundo. Primeiros cultos a divindades.

Citação, Gen. 3, 22-24.: “Então o Senhor Deus disse: ‘Eis que o homem tornou-se como um de nós, capaz de conhecer o bem e o mal. Não ponha ele agora a mão na árvore da vida, para dela comer e viver para sempre’. E o Senhor Deus o expulsou do Jardim do Éden, para que cultivasse o solo do qual fora tirado. Tendo expulso o ser humano, postou a oriente do Jardim do Éden os querubins, com a espada flamejante a cintilar, para guardarem o caminho da árvore da vida”.

Comentário: O Homo sapiens deixa seu berço e atinge também a Europa, repare na indicação geográfica de “oriente”, ou seja, a rota de chegada a Europa foi justamente esta, deixando o oriente, a porta de entrada do Éden, para trás, o que nos leva a crer que chegaram a este novo continente pela Ásia Menor ou Cáucaso, e que o Jardim do Éden devia se localizar em algum ponto entre a Mesopotâmia e o Egito (Em Gen. 2, 10-14 são descritos quatro rios, Fison, Geon, o Tigre e o Eufrates – Geon é o Nilo, Fison é desconhecido). A história mitológica que se segue é a história política da formação do povo de Israel, e assim não quer dizer que estes chegaram a viver na Europa. O aspecto importante é que a ‘humanidade’ (“tendo expulso o ser humano”) teve que, por algum motivo, deixar sua terra natal e explorar o mundo à fora, uns foram mais ao longe, outros nem tanto. É o marco do nomadismo humano. Adão é o simbolismo do nascimento da humanidade, e Eva de seu nomadismo e da prática da coleta como forma de alimentação – colheu a maçã, etc.

Atenção a isto: “o homem tornou-se como um de nós”. Novamente a pluralidade referente a divindade. E como já foi explicado, neste caso, mera questão de adequação ao modo verbal.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Mandamentos da Cavalaria

01º - Acreditarás em tudo o que a Igreja ensina e observarás todos os seus Mandamentos.
02º - Protegerás a Igreja.
03º - Respeitarás todos os fracos e constintuir-te-ás seu defensor.
04º - Amarás o país onde nasceste.
05º - Não recuarás diante do inimigo.
06º - Farás aos infiéis uma guerra sem tréguas nem piedade.
07º - Cumprirás exatamente os teus deveres feudais, se não forem contrários à Lei de Deus.
08º - Não mentirás e serás fiel à palavra dada.
09º - Serás magnânimo e pródigo com todos.
10º - Serás, em toda parte e sempre, campeão do Direito e do Bem, contra a Injustiça e o Mal.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Sentidos

Como é notório, todo ser vivo, ao decorrer de sua evolução, pode desenvolver sentidos com os quais ele poderá interagir com o mundo. Nos homens, por base, temos cinco sentidos: audição, visão, olfato, tato, paladar. Mais além, torna-se cada vez mais comum relatos sobre fenômenos extra-sensoriais. De fato, todos os aspectos da psique, da mente humana, se encaixam no então Sexto Sentido, inclusive a telepatia, telecinese, teleporte, sincronia, sintonia, intuição, empatia, precognição, levitação, pirocinese, criocinese, clarividência, dentre outros.


Mas os poderes da mente seriam a última etapa da evolução? Encontra-se respostas para isto nas lendas e mitos do passado onde grandes homens superaram aos deuses e a si próprios. Suas façanhas revelam o dom do Sétimo Sentido. Nestes heróis encontramos a força motriz, a dynamis, capaz de realizar tamanho feito, graças ao despertar da junção do microcosmo interior ao macrocosmo exterior, fonte de toda energia potencial.


Plus ultra. Se o Sétimo Sentido dá ao homem a condição de herói, o Oitavo Sentido lhe torna um semi-deus, apto pela primeira vez a vagar pelos mundos da cabala enquanto ainda vive em seu corpo terreno. Tal sentido pode ser atingido por forças próprias, mas mesmo nas eras homéricas a evolução unilateral quase sempre foi infrutífera. Todavia, o sangue divino, o ikhor, pode tornar um humano em uma semi-postestade, seja naturalmente, com a união carnal de um mortal com um imortal, ou com o mero contato com o liquido.


Ainda assim, semi-deuses não podem tocar os tronos altíssimos, estão fadados a planos elementais – portas de entrada para os reinos divinos. Somente os seres dotados com o Nono Sentido podem romper estas barreiras e freqüentar tais mundos. E estes seres são os deuses. Mas, o que define um deus? Ser adorado? Atrizes e atores também o são... Ser poderoso? Ser o melhor? Nem sempre... Ser Imortal? Bem, de certa forma, sim.


A imortalidade de um deus é uma característica inata. Contudo um deus pode sim vir a morrer em situações extremas que não cabem discussão neste momento. Todavia, sabemos que talvez (muito improvavelmente) possa ter um fim, mas e um início? Como os deuses surgem? Mitologicamente todos provém de uma linhagem real primordial, por isso seu sangue é tão crucial. Existem também raríssimos casos de humanos que alcançaram este patamar. Não se sabe, com certeza, se em algum ponto de sua árvore genealógica aconteceu algum contato com o sang real, santo graal.


Cabala

Ain: Supremo.
Ain Soph: Supremo Conhecimento.
Ain Soph Aur: Alma do Supremo Conhecimento.
Estes três termos da cabala tentam explicar algo fora da concepção humana, algo extra-divino. Se o Nono Sentido simboliza os deuses, estas são as três facetas do Décimo! Esta trindade representa, em termos bem pobres, o deus, as forças, os poderes ABSOLUTOS. O Décimo Sentido é a essência do universo, de todo o macrocosmo. Seu nível mais próximo ao nosso entendimento é a Alma do Supremo Conhecimento, algo que só podemos vislumbrar, mas que contudo podemos perceber e sentir, nos revelando que algo maior existe, mesmo sem nada nunca compreendermos.

Em termos cristãos seria o divino Espírito Santo. Seguindo esta linha, seria fácil apontar o Supremo Conhecimento como o filho unigênito de Deus, o Messias, e que o Pai, o Alfa e o Ômega, é o ser Supremo. De fato isto pode ser dito, contudo, o mesmo pode ser aplicado ao Caos, Ginnungagap, Kunitokotachi, Atma, Tao, Brahma... Enfim, são meramente nomes, não alterando em nada o principal fato: O ser Supremo.

Púman: Alma.
Pradhána: Natureza da Alma.
Mahat: Razão da Natureza da Alma.
Ahankára: Razão da Natureza dos Elementos.

Os termos Púman, Pradhána, Ahankára e Mahat provém do hinduismo. Púman faz alusão à alma, sendo indissociável de Pradhána, onde a primeira reside. Este é o Príncipio chefe de todas as coisas da natureza, sua fonte motora e suprema, também chamada Prakiti. Mahat é o intelecto raíz que dá origem ao logos, que anima conscientemente o universo e que cria a mente dos elementos, Ahankára.

Assiah: Dimensão Mundana ou Terrena.
Sapher ou Yetzirah: Dimensão Elemental.
Sippur ou Briah: Dimensão Astral.
S’for ou Atziluth: Dimensão Arquetípica.

Estes são os quatro mundos, ou melhor, dimensões (sepharim) reveladas pela Cabala. Cada qual compreendem outras esferas (sephiroth), estas sim podendo ser denominadas mundos – conforme o diagrama acima. O Assiah é o mundo concreto e laico o qual estamos acostumados, resultado da união de fatores e elementos das demais dimensões.

Sapher ou Yetzirah são os ditos planos elementais, pela etimologia querem dizer: a criação, o fiat lux. Ar, Água, Fogo e Éter – o espírito - (todos estes ao lado da Terra, cujo plano elemental é em seu próprio reino elemental), cada um destes elementos caracteriza sobremodo um plano de existência.

Sippur ou Briah significam a palavra, o logos, o verbo manifestado. É a dimensão do pensamento, do sonhar, e da alma - anima. Também tem por “base” formas elementais, tão idealistas e primordiais que não se pode considerar como um plano elementar, mas sim um reino elementar. O mesmo ocorre na dimensão à seguir:

S’for ou Atziluth é a dimensão da plena existência, a origem dos termos diz isto. Esta plena existência não pode ser melhor descrita senão de forma arquetípica, ou seja: ou é, ou não é. É a dimensão das essências puras (pura bondade, pura maldade)...

Os mundos apresentados por estas dimensões são figuras-conceito. Sim, são mundos físicos, mas isto não quer dizer que as leis da física atuem sobre eles, que existam conexões geográficas de um ao outro, que um esteja ao norte ou outro ao sul. E como conceitos, englobam outros pequenos mundos, que também são revelados pela Cabala; pelos 22 Caminhos da Cabala e pelas Cartas do Tarô. Vejam este diagrama, elaborado primeiramente por Athanasius Kircher:

Pode-se deixar de lado, por hora, muitos detalhes nesta imagem. O importante são os 22 caminhos apontados com as 22 letras do alfabeto judaico. Cada um, por mais efêmero que possam ser, possui um mundo ou mundo de peculiaridades distintas, quando senão, abstratas. Para compreender melhor tudo isto, é melhor primeiro adentrarmos um pouco mais nos mistérios da Cabala.

Os mistérios são dissolvidos em 32 Caminhos: as 10 Esferas (Sephiroth, Sephirah no singular) e 22 Cartas. As Esferas ilustram o processo de nascimento do universo, desde o 1º ato (O Espírito de Deus), passando pelos elementos (2º Ar; 3º Água; 4º Fogo), finalizando com as dimensões (5º Alturas; 6º Profundezas; 7º Leste; 8º Oeste; 9º Sul; 10º Norte). *Atenção, não está na ordem dos Sephiroth. Assim do Espírito de Deus, de seu sopro, veio o Ar. Do Ar veio a Água. Da Água surgiu o Fogo. Do Fogo as Alturas e as Profundezas. E destas últimas o Leste e o Oeste, o Norte e o Sul. Os Sephiroth revelam o Ain Soph, o supremo conhecimento.

As Cartas se subdividem em 3 Cartas Mãe, Fundamentais; 7 Cartas Dúbias; e 12 Cartas Singulares. A bem da verdade, representam as letras do alfabeto hebraico (pela lenda, esta é a origem do alfabeto). Assim sendo, são 3 vogais, 7 semi-vogais e 12 consoantes.
א
ב
ג
ד
ה
ו
01 - Aleph (a)
02 - Beth (b)
03 - Ghimel (gh)
04 - Daleth (d)
05 - He (h)
06 - Vau (v, w)
ז
ח
ט
י
כ ך
ל
07 - Zain (z)
08 - Cheth
(ch, kh, h)
09 - Teth (t)
10 - Iod (y, i)
11 - Kaph
(k, kh, ch)
12 - Lamed (l)
מ ם
נ ן
ס
ע
פ ף
צ ץ
13 - Men (m)
14 - Nun (n)
15 - Samech (s)
16 - Ain (g)
17 - Pes
(p, ph, f)
18 - Sade
(tz, ts, z)
ק
ר
ש
ת


19 - Koph (q)
20 - Res (r)
21 - Sin (sh, s)
22 - Tau (th, t)



Vermelho - Fundamentais. Azul - Dúbias. Preto - Singulares.

As três Fundamentais são uma balança, sendo Aleph o Ar, Men a Água e Sin o Fogo, com a primeira entre as outras duas, equilibrando-as. Tudo foi criado a partir delas. Marco profundo da Santíssima Trindade. Repare também que Sin, o Fogo, é da mesma raiz que em inglês quer dizer "pecado", enquanto Aleph, como na passagem "Eu sou o Alfa e o Ômega", é a virtude divina. Dizem alguns que Men é justamente o homem, entre o bem e o mal (raiz semelhante a man no inglês, homem português, etc...).

As sete Dúbias representam os pólos opostos do universo. Podendo representar tanto a sabedoria, riqueza, fertilidade, vida, domínio, paz e beleza; quanto a tolice, pobreza, esterilidade, morte, dependência, guerra e feiúra. (Tudo pela ordem). Também representam as 7 dimensões (Altura, Profundidade, Leste, Oeste, Norte e Sul, mais o local central, ponto base). Tal como os "sete planetas", os sete dias da semana, os sete céus, sete terras, sete mares, sete rios, sete desertos, sete semanas do Pentecostes, e os sete anos vezes sete do jubileu...

Podendo representar ambos os pólos do universo, o número sete e estas letras simbolizam Deus, o tudo, como o Tao, a força que harmoniza o Yin e o Yang (ao passo que Lúcifer é 6, o quase e o pretendente de sua onipotência, vejam neste mesmo alfabeto que 6 é transcrito como a letra Vau (v, w), por este motivo dizem ser a internet o símbolo do demônio, pois 666 = vau, vau, vau = www). As doze Singulares representam os 12 signos, os 12 meses, os 12 órgãos, os interpontos cardeais (incluso altura e profundidade), 12 apóstolos... a simbologia é ampla.

Vimos logo de cara que a criação é dividida em quatro mundos principais, S'for, Sippur, Sapher e Assiah englobados em três trindades de Esferas (Planos, Dimensões, etc...) onde Kether, a alta-coroa, não forma um 'mundo', sendo interpretado como a própria força motriz do universo (Deus, Demiurgo, Ancião dos Dias, Altíssimo, Cosmo, Caos, Ginnungagap, Kunitokotachi, Atma, Tao, Kundalini, Brahma, Fohat, etc.). Restam-nos então 22 “tipos” de mundos de efemérides entre os principais planos e dimensões. Cada um respeitando, por assim dizer, as características cabalísticas dos “percursos”.
O Caminho... que liga...
01 - א - Aleph - O Bem => Kether à Piedade, Caminho 6.
02 - ב - Beth - O Mal => Kether ao Rigor, Caminho 8.
03 - ג - Ghimel - Influxo da Santíssima Trindade => Kether à Tipheret.
04 - ד - Daleth - Caminho da Sabedoria e Luz => Hochma à Binah.
05 - ה - He - Águas da Divina Piedade => Hochma à Tipheret.
06 - ו - Vau - Complacência, Piedade => Hochma à Hesed.
07 - ז - Zain - Fogos da Divina Justiça => Binah à Tipheret.
08 - ח - Cheth - Rigor, Punição => Binah à Giburah.
09 - ט - Teth - Justiça e Piedade => Hesed à Giburah.
10 - י - Iod - Forças da Direita => Hesed à Tipheret.
11 - כ - Kaph - Preceitos Positivos da Lei => Piedade, Caminho 6 à Netzach.
12 - ל - Lámed - Forças da Esquerda => Giburah à Tipheret.
13 - מ - Men - Preceitos Negativos da Lei => Rigor, Caminho 8 à Hod.
14 - נ – Nun - A Menorá => Netzach (Ar) à Tipheret (Fogo).
15 - ס - Samech – Criação => Yesod (Água) à Tipheret (Fogo).
16 - ע - Ain – Conservação => Netzach (Ar) à Yesod (Água).
17 - פ - Pes - Vitória e Honra => Netzach (Ar) à Hod (Éter).
18 - צ - Sade – Signos => Hod (Éter) à Tipheret (Fogo).
19 - ק - Koph - Imagens da Terra (Virtudes) => Malkuth (Terra) à Netzach (Ar).
20 - ר - Res – Destruição => Hod (Éter) à Yesod (Água).
21 - ש - Sin - Imagens da Terra (Pecados) => Malkuth (Terra) à Hod (Éter).?
22 - ת - Tau - Morte e Vida => Malkuth (Terra) à Tipheret (Fogo) ou Yesod (Água).

Os caminhos de 1 à 13 representam os portais e reinos elementais mais altos, pouco conhecido entre os homens, habitados (ou pouco habitados) por divindades em retiro, ou reclusas por algum motivo especial, quando não são usados somente com um elo de ligação entre um plano e outro. Do 14 ao 22 existem inúmeros relatos em nossas mitologias.

Vimos a Cabala até agora no sentido horizontal e de seus caminhos, porém agora, seguindo o budismo, por exemplo, vejamos o sentido vertical. De baixo para cima se verá a trajetória rumo a mundos cada vez menos densos e materiais, cada vez mais próximo de Deus e seus inúmeros nomes. O caminho da direita, Jaquin, o Pilar * da Misericórdia, leve e suave; o caminho da esquerda, Boaz, o Pilar da Severidade, justo e pesado; e o caminho do meio, chamado Balança, aquele sem apego algum as paixões, nem as boas nem as ruins. O sentido inverso revelará o nascimento do homem e de todos os seus atributos.

*Alusão aos dois principais pilares do Templo de Salomão, conforme 3Rs 7, 21; 2Par 3, 17; Jer 52, 22. Lido da direita para a esquerda temos Jaquin Boaz, ou seja "[Deus] estabeleceu [o Templo] solidamente" ou “com força”.

Tanto de acordo com as os conceitos cabalísticos quanto com os modernos teosofistas e rosa-crucianos estes caminhos também revelam a composição da vida humana e até que ponto cada um de seus 'componentes' pode atingir nesta 'evolução' pelos 'mundos'.

“Nele [no homem], como no Ego Divino, há um trindade em unidade, vista: 1, O Neshamah (espírito); 2, Ruach (alma); 3, Nephesh (a vida sensual ou animal - instinto), intimamente relacionado ao corpo e dissolvido quando ele, o corpo, morre. O Nephesh nunca entra nos portais de Éden ou o Paraíso celestial. Além destes elementos em nós, há outro representando uma idéia ou tipo de pessoa que desce de céu na hora de concepção. Cresce enquanto crescemos nós, permanecendo conosco, e nos acompanha quando nós deixarmos a terra. É conhecido como nosso Ycchidah, ou princípio de nossa individualidade”.

Nurho de Manhar, Sepher Ha-Zohar, Prefácio.

Além destes também há uma unidades mais superior, o Chiah, a Força de Vida - em termos mais aproximados, o Cosmo interior. Também conhecido por Qi, entre os chineses, e Ki entre os japoneses. E fora do indivíduo, mas em constante contato, existe o Jechidah, ou o Cosmo exterior.

Este é um esboço da parte teórica da Cabala como vista no Yetzirah e no Zohar. Permitam-me agora um pequeno a parte sobre as aplicações praticas decorrentes da Cabala. Basicamente são duas, a Exegética (práticas de desmistificação de significados ocultos) e a Taumatúrgica (exercícios de ritos mágicos e sobrenaturais).

A doutrina exegética é fundada na teoria de que Moisés recebera de Deus no Sinai as chaves necessárias para poder desvendar os mistérios escondidos por detrás de cada mínima letra da Cabala e do Pentateuco. Estas chaves chegaram à modernidade como sendo a Gematria, o Notarikon e o Temura.

Gematria se trata do valor numérico e do poder das letras, suas formas e as vezes sua posição em determinadas palavras. Uma análise aritmética e figurativa que deu origem a, por muitas vezes charlatã, numerologia. Notarikon é quando uma letra significa algo por inteiro ou uma pessoa, uma abreviação. E quando junta de outras, formam novos sentidos e significados. Temura é a permutação das letras, a troca de posição através de alguns métodos combinatórios, os mais famosos são o Athbash e o Albam (que possuem estes nomes justamente por começarem a seqüência de inversão com estas letras).

Pois bem, agora voltemos aos quatro mundos principais da Cabala, Atziluth (אצילות), Briah (בריאה), Yetzirah (יצירה) e Assiah (עשיה). Cada um compõe uma letra hebraica do nome sagrado de Deus, o Tetragrammaton, que conhecemos pela alcunha de Javé (JHVH, יהוה) identificado por estes sistemas de Gematria, Notarikon e Temura. Cada uma destas letras também compõe o quadro dos quatro elementos primordiais. Aliás, sobre isto, fato é que estes elementos compõem pela tradição o nome de Deus, ou sejam, fazem parte deste. E este, tal como elemento primordial é entendido como éter, luz, ou centelha divina ou solar que habita os seres vivos. Por sua vez, em contraparte. Sua ausência é escuridão, as trevas.

Como dizem à boca pequena, não existe o Mal absoluto, mas sim a ausência do Bem. Enfim, pensando assim, temos nos símbolos alquímicos da idade média uma interessante constatação:
Os Quatro Elementos que compõem o universo, e por conseguinte, Deus, o quinto elemento. Somente fora desta fórmula o hipotético sexto elemento, as trevas... O Éter, força de união ou espírito, também se faz presente, ao lado dos demais elementos, nas tradições hinduístas contidas no Vishnu Purana, onde os Tatwas (cinco elementos) são assim representados: Vayu - O Círculo Azul (ar); Apas - O Crescente Prateado (água), Agni - O Triângulo Vermelho (fogo), Prithivi - O Quadrado Amarelo (terra), Akasa - O Ovo Negro (das trevas) donde nascerá a luz (espírito). Também temos algo semelhante entre os gregos. Platão em Timeus (56s) discorre sobre estes mesmos elementos.